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O café contém mais de mil compostos voláteis e, destes, aproximadamente 30 contribuem para a percepção dos atributos sensoriais da bebida, sendo fundamentais na avaliação de sua qualidade. Os precursores desses compostos são gerados durante o cultivo e no processamento pós-colheita, sendo transformados durante o processo de torra por meio de diversas reações. Entre os grupos químicos mais relevantes estão os furanos, pirazinas, ácidos, álcoois e aldeídos, entre outros. As diferentes combinações e proporções desses compostos no grão de café permitem distinguir cafés de alta qualidade daqueles que apresentam defeitos sensoriais. Esta pesquisa avaliou 48 diferentes compostos voláteis de grãos de café obtidos de frutos em três diferentes estágios de maturação, submetidos à reserva dos frutos e à fermentação prolongada da mucilagem. A reserva dos frutos apresentou alterações, entre outras, no acetato de etila, no ácido acético e no etanol, contribuindo para o desenvolvimento de características frutadas e de frutas vermelhas nos tratamentos com maior tempo de reserva (48 horas). Por outro lado, a fermentação prolongada da mucilagem em frutos com estágios de maturação mais avançados e submetidos a temperaturas mais elevadas reduziu as pontuações de cinco atributos sensoriais, gerando sabor fermentado. Esse defeito foi relacionado a maiores concentrações de compostos voláteis, como o hexanal e o ácido 3-metilbutanoico.